Outubro rosa: reconstrução mamária melhora bem-estar após câncer de mama

Mulher segurando fitas rosas para simbolizar o outubro rosa

Colocação de prótese pós-mastectomia ajuda na autoestima de pacientes e melhora do tratamento oncológico

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum da doença entre as brasileiras, com uma estimativa de 60 mil novos casos anuais pelo INCA. A colocação de prótese pós-mastectomia pode ajudar no tratamento e bem-estar da paciente.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer são quase 17 mil óbitos anuais em decorrência do câncer de mama. Campanhas como a do Outubro Rosa visam aumentar a conscientização das mulheres sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce, garantindo assim um tratamento mais eficaz para essa luta.

Mas além do tratamento contra a doença, há uma preocupação constante com proporcionar bem-estar entre as pacientes.

A seguir saiba quais as indicações da mastectomia e também da reconstrução mamária.

Quando a mastectomia é indicada?

A mastectomia é o procedimento que consiste na remoção completa de uma ou das duas mamas, sendo indicada para casos mais avançados da doença, quando a paciente não pode realizar o tratamento quimioterápico ou radioterápico, entre outras situações.

Um fato desconhecido de muitas pacientes é que a mastectomia pode ser de diferentes tipos, de acordo com o quadro e a realização ou não da reconstrução mamária. Entre os tipos estão:

  • mastectomia simples: procedimento no qual o cirurgião remove toda a mama, incluindo o mamilo, mas não remove os linfonodos axilares e o tecido muscular sob a mama;
  • mastectomia dupla: quando as duas mamas são removidas, podendo ser uma mastectomia preventiva para mulheres com grandes chances de reincidência;
  • mastectomia poupadora da pele: indicada para mulheres que vão realizar a reconstrução mamária simultaneamente, sendo que parte da pele é poupada enquanto o tecido mamário é removido. Pode-se usar implante de silicone ou tecido de outras partes do corpo;
  • mastectomia poupadora do mamilo: opção disponível para mulheres com nódulos pequenos e câncer em estágio inicial, sendo que o tecido mamário é removido, mas a pele da mama e o mamilo são preservados para uma cirurgia reconstrutora;
  • mastectomia radical: técnica menos usada atualmente, consiste na remoção de toda a mama, incluindo os linfonodos axilares e os músculos peitorais (parede torácica).

Destaca-se que a colocação de prótese pós-mastectomia com reconstrução da mama é prevista por lei quando o procedimento é realizado no Sistema Único de Saúde. No entanto, em 2017 apenas 22% das pacientes que realizaram a mastectomia no SUS conseguiram fazer a reconstrução.

Quando colocar prótese pós-mastectomia?

A mastectomia, mesmo a simples, é um procedimento invasivo e que pode causar sequelas emocionais nas pacientes, além das mudanças físicas.

Devido ao trauma de se ver sem uma ou ambas as mamas, a indicação é que a colocação de prótese pós-mastectomia seja realizada simultaneamente ao procedimento de remoção do tecido mamário.

Nesses casos, a técnica é chamada de reconstrução imediata e a conservação da estética nessas mulheres promove uma maior autoestima e bem-estar entre as pacientes, o que se reflete nas chances de sucesso do tratamento oncológico.

Apesar de raros, existem os casos nos quais a colocação da prótese pós-mastectomia não pode ser feita imediatamente. Ainda assim, é possível fazer a reconstrução tardia, com uma nova cirurgia para colocação da prótese.

Mulher com autoestima após prótese mamária

Quais os benefícios da reconstrução mamária?

Uma pesquisa realizada pela University of Toronto, no Canadá, em conjunto com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, e publicada no periódico especializado Cancer avaliou os efeitos da reconstrução mamária em 51 pacientes.

Entre as conclusões da análise, destacam-se significativos benefícios em diferentes aspectos da vida, como psicológico, social e sexual apenas três semanas após a cirurgia.

A mama tem uma simbologia muito relevante às mulheres, de forma que a extração devido ao câncer de mama pode acarretar prejuízos físicos e psicológicos à paciente.

A reconstrução mamária e reabilitação estética para uma aparência pré-câncer é significativa para recuperação da autoestima, bem-estar e reestabelecimento do convívio social, acarretando melhoras no próprio tratamento do câncer.

Destaca-se ainda que a além da colocação da prótese de mama pós-mastectomia, o cirurgião plástico deve avaliar alternativas para reconstrução da aréola e mamilo.

Nos casos nos quais a mastectomia não consegue preservar o mamilo, a reconstrução pode ser feita por enxerto de outra parte do corpo, como cartilagem da orelha ou parte interna da coxa, ou micropigmentação.

Assim, é utilizada uma espécie de maquiagem permanente para proporcionar a estética anterior à mastectomia considerando o tom de pigmentação da paciente.

A conduta recomendada para reconstrução da aréola e mamilo depende da avaliação do cirurgião plástico quanto às condições da pele e do caso específico.

Assim, mesmo a mastectomia podendo apresentar um trauma estético à paciente, tratamentos já consolidados visam amenizar esse quadro, reduzindo os danos físicos e psicológicos às pacientes.

A colocação da prótese pós-mastectomia e reconstrução da aréola e mamilo devem ser realizados por um cirurgião plástico de confiança e considerando as particularidades estéticas e do próprio tratamento oncológico.

 

Agende agora a sua consulta!

 

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).