Qual o tratamento para a correção de cicatrizes de queimaduras?

As técnicas utilizadas para tratar cicatrizes de queimadura dependem do grau e da extensão da lesão e podem combinar mais de um método para fornecer o melhor resultado.

A exposição ao calor ou frio intensos e a substâncias muito ácidas ou alcalinas pode causar queimaduras, lesões que costumam deixar marcas extensas. Nesse caso, o tratamento para cicatrizes é essencial para recuperar a estética e a funcionalidade da região.

Enquanto pequenas cicatrizes podem evocar memórias divertidas das travessuras da infância, a cicatriz resultante de uma queimadura pode se tornar um grande problema devido ao fato de ser muito visível e causar constrangimento à pessoa.

Além disso, cicatrizes em regiões como axilas, cotovelos e pescoço podem trazer prejuízos funcionais e limitar os movimentos da pessoa devido às aderências que se formam nas dobras de pele presentes nesses locais.

Dessa forma, a busca por um procedimento corretivo é indicada tanto por motivos estéticos e psicológicos quanto pelo restabelecimento das funções normais da pele da região atingida.

O melhor tratamento para cicatrizes depende do grau da queimadura

A escolha do melhor procedimento para reparar uma cicatriz de queimadura depende, entre outros fatores, do grau da lesão, que pode ser identificado de acordo com os seguintes critérios:

  • Queimadura de primeiro grau: por atingir apenas a epiderme (camada mais externa da pele), é considerada uma lesão superficial. Exemplo: queimadura solar leve;
  • Queimadura de segundo grau: atinge a camada intermediária da pele (derme), causa bolhas e é muito dolorosa por deixar as terminações nervosas expostas. Exemplo: queimadura com líquidos em altas temperaturas;
  • Queimadura de terceiro grau: é a mais profunda, atingindo todas as camadas da pele e tecidos como gordura, músculo e ossos. Apesar disso, é indolor porque as terminações nervosas são destruídas. Exemplo: queimadura por eletricidade.

No caso de queimaduras de primeiro grau, as lesões são pouco profundas e costumam demandar apenas a aplicação de pomadas com corticoide para combater a inflamação e hidratar os tecidos e o uso de medicamentos para aliviar a dor.

Já no caso de queimaduras de segundo e terceiro grau, o tratamento para cicatrizes depende da extensão da lesão, podendo incluir o uso de malhas compressivas, injeções de corticoides, aplicação de laser ou luz pulsada e cirurgia reparadora com enxerto de pele.

mulher com a mão no cotovelo machucado

Essas técnicas podem ser utilizadas em associação conforme a avaliação da equipe médica. Saiba mais sobre essas possibilidades:

  1. Malhas compressivas

Trata-se do uso de peças que exercem uma grande pressão na região afetada, muito maior do que aquela oferecida por cintas modeladoras ou meias compressoras, o que pode ser bastante desconfortável para o paciente.

Durante o primeiro ano depois da queimadura, a pele que está em cicatrização tem tendência de se levantar e se afastar da superfície, formando desníveis e calombos, ou de desenvolver queloides. Por isso, utiliza-se a malha compressiva, que faz com que a cicatriz fique mais baixa.

  1. Injeções de corticoides

O tratamento para cicatrizes de queimadura também pode incluir a aplicação de corticoides injetáveis, que são considerados o principal método de combate à formação de cicatrizes hipertróficas, que são elevadas, avermelhadas e coçam bastante.

Em geral, o medicamento mais utilizado é a triancilonona. Esse efeito é possível porque o medicamento inibe a atividade dos fibroblastos (células produtoras de colágeno), além de combater a inflamação.

  1. Laser e luz pulsada

Os métodos de fototerapia estão entre as técnicas de tratamento para cicatrizes mais utilizadas atualmente, especialmente no caso de queimaduras de segundo grau.

Entre os diversos tipos de laser, o que apresenta resultados mais rápidos e com menor risco de complicações costuma ser o laser ablativo fracionado, que provoca milhares de lesões de tamanho microscópico, invisíveis a olho nu, com o objetivo de regenerar a pele tratada.

A luz intensa pulsada, por sua vez, não é um laser propriamente dito, mas funciona de forma parecida. Com o uso de filtros específicos, a luz pulsada oferece bons resultados no tratamento da discromia das cicatrizes de queimadura (alteração de cor em relação à pele saudável).

  1. Cirurgias reparadoras

Em casos de queimaduras mais profundas e extensas, o tratamento para cicatrizes pode necessitar de cirurgias reparadoras para melhorar o aspecto das lesões e recuperar a funcionalidade da pele. Conheça os principais tipos:

– Cirurgia de excisão precoce

Uma das técnicas cirúrgicas utilizadas é a chamada excisão precoce, que consiste na ressecção total de cicatrizes de pequena extensão, seguida pela sutura das bordas da lesão. Já no caso de cicatrizes maiores e mais profundas, costuma ser necessário associar também o enxerto.

– Enxerto de pele

O método da enxertia é muito útil para fechar e proteger lesões extensas, evitando infecções – a causa de 75% das mortes por queimaduras. A técnica pode ser feita com pele do próprio paciente, pele de um doador e pele de animais.

A preferência é por utilizar a pele do próprio paciente em fragmentos removidos de regiões como coxas, couro cabeludo, abdômen, costas, virilha e parte posterior da orelha. A vantagem é que há uma maior facilidade na integração do fragmento ao local receptor.

figura em 3d de corpo humano

– Substitutos cutâneos

Há casos de queimaduras tão extensas que o paciente não tem áreas doadoras suficientes para fornecer material para o enxerto. Dessa forma, as alternativas são enxertos feitos com os chamados substitutos cutâneos, que protegem a lesão provisoriamente. Entre eles, citamos:

  • Pele fornecida por um doador também humano;
  • Pele fornecida por seres de outras espécies, como rã, porco, boi e peixe;
  • Substitutos sintéticos que imitam a pele, produzidos em laboratório;
  • Culturas epiteliais, que consistem em células cultivadas em laboratórios.

Resultado do tratamento para cicatrizes de queimadura

O nível de melhora da aparência e da funcionalidade da pele depende do grau e da extensão da queimadura e da resposta do organismo às técnicas utilizadas. Em geral, os tratamentos oferecem uma boa melhora, mas em muitos casos ainda haverá marcas do trauma.

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Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).