Entenda como conversar com adolescentes sobre aparência!

menina fazendo sinal de paz sorrindo de blusa amarela em frente a um fundo rosa

As transformações físicas e psicológicas, a comparação com o grupo e a influência das redes sociais podem ser prejudiciais para a autoimagem do seu filho. Veja como abordar o assunto.

Se ter uma autoimagem positiva já é desafiador na vida adulta, esse processo é ainda mais difícil durante a adolescência. Em meio ao turbilhão de mudanças, o descontentamento com a aparência é assunto sério e é preciso saber como conversar com adolescentes sobre isso.

Além das alterações físicas, a puberdade traz uma maior independência em relação à família, que é em parte substituída pela valorização da opinião dos amigos, o desejo de pertencer ao grupo e a influência de diversos modelos, especialmente youtubers e instagrammers.

A adolescência realmente é uma fase cheia de altos e baixos, mas é preciso estar atenta. Afinal, a baixa autoestima pode ter consequências como isolamento social, dificuldades de aprendizagem, problemas de comunicação, ansiedade, distúrbios alimentares e depressão.

Dicas de como conversar com adolescentes sobre aparência e autoestima

Ter uma insatisfação pontual em relação ao próprio corpo é algo frequente, mas comportamentos como comparações constantes, verbalização de inferioridade, timidez, isolamento ou postura de “palhaço” da turma e mudanças na alimentação são sinais de alerta.

Nessa idade, nem sempre os filhos conseguem se abrir com os pais – e estes também sentem dificuldade em iniciar o diálogo. Pensando nisso, nós elaboramos algumas dicas de como conversar com adolescentes sobre aparência, mudanças e autoestima:

adolescentes em uma pista de skate
  1. Mostre disposição para ouvir as inquietações e aja ativamente

Se o adolescente demonstrar desconforto com o corpo, o cabelo, as roupas etc., demonstre interesse em conversar sobre isso, sem menosprezar os sentimentos do seu filho. Deixe-o saber que você acredita nele e que você está à disposição para ajudá-lo a superar.

Aproveite a ocasião para contar suas próprias experiências e para perguntar como o adolescente se sente em relação a si mesmo e ao grupo, de modo a estabelecer uma conversa de duas vias.

  1. Crie um ambiente seguro e acolhedor – e isso começa pela sua própria autoimagem

Não há como conversar com adolescentes sobre aparência sem antes demonstrar uma atitude positiva em relação à sua própria autoimagem. Quando os pais têm problemas de autoestima, a conversa soará artificial e contraditória aos exemplos observados.

Por isso, evite fazer comentários depreciativos sobre a sua aparência e também sobre a aparência dos outros, proporcionando um ambiente acolhedor e livre de julgamentos. E, claro, jamais faça piadas sobre as características físicas do adolescente.

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  1. Explique que adolescência é um período de mudanças

Seu filho provavelmente já sabe que as mudanças físicas e psicológicas da adolescência são causadas pelas alterações hormonais, mas nem sempre fica claro que o desenvolvimento não acontece da mesma forma para todo mundo e não é proporcional no corpo todo.

Esclareça que é normal que adolescentes da mesma idade tenham níveis diferentes de desenvolvimento, especialmente das características sexuais, e que é normal que braços e pernas cresçam antes e pareçam desproporcionais ao restante do corpo.

Se necessário, recorra a materiais de suporte como livros e vídeos para abordar essas questões e explicar que muitos desconfortos da adolescência são transitórios, pois o corpo ainda está em transformação.

  1. Estimule o adolescente a assumir sua individualidade

Estar em um estágio mais precoce ou mais avançado de desenvolvimento em relação aos amigos da mesma faixa etária pode ser motivo de muita frustração. Por isso, é essencial esclarecer que pertencer ao grupo é importante, mas que a individualidade é ainda mais.

Deixe claro ao adolescente que cada um tem suas próprias características e qualidades e que não existe um único padrão de beleza. Estimule-o a identificar e adotar apenas os aspectos do “padrão” que fazem sentido para ele, pois um grupo é formado por diferentes indivíduos.

Isso também se estende aos influenciadores digitais que seu filho segue. Mesmo que seja divertido ter ídolos, ele deve ter muito claro que eles não são modelos a serem seguidos totalmente – e que grande parte do conteúdo das redes sociais não corresponde à realidade.

  1. Saiba quando intervir e buscar ajuda profissional

Dominar a arte de como falar com adolescentes sobre aparência inclui reconhecer problemas que não vão se resolver sozinhos e saber quando é hora de intervir e buscar ajuda profissional, evitando consequências ainda mais graves. Conheça algumas situações:

– Obesidade x transtornos alimentares

A obesidade infanto-juvenil cresceu 240% nas últimas duas décadas e vai muito além do prejuízo estético, pois está relacionada à obesidade na vida adulta e ao aumento do risco de doenças como diabetes, hipertensão, colesterol alto e vários tipos de câncer.

Por outro lado, a adolescência também é uma fase com sério risco de desenvolvimento de transtornos alimentares, especialmente entre as meninas.

Dessa forma, havendo ou não verbalização de insatisfação com o peso ou a forma, a constatação de que o adolescente está acima do peso ou está apresentando mudanças nos hábitos alimentares é motivo de alerta.

Além do diálogo, é preciso dar o exemplo ao seguir hábitos saudáveis e, se necessário, buscar ajuda profissional com especialistas em nutrição, psicologia, psiquiatria e endocrinologia infanto-juvenil.

– Acne

Cravos e espinhas muitas vezes são vistos como uma “coisa de adolescente” que se resolve sozinha. Porém, a acne pode trazer prejuízos emocionais e deixar manchas e cicatrizes permanentes.

Assim, ao constatar que seu filho sofre com esse problema, o mais indicado é buscar tratamento dermatológico para evitar essas complicações.

– Cirurgia plástica

A cirurgia plástica na adolescência é um tema controverso. Como o corpo ainda não está totalmente desenvolvido e muitas vezes o jovem ainda não tem maturidade suficiente, esses procedimentos não costumam ser recomendados.

Porém, há alguns casos em que pode sim haver a recomendação de um procedimento, como a cirurgia plástica de ginecomastia para os meninos e a redução de mamas para as meninas, que realmente trazem muitos benefícios.

A indicação depende de uma avaliação minuciosa para garantir a segurança do adolescente. Portanto, se esse assunto surgir, a dica é agendar uma consulta presencial com a Dra. Luciana Pepino para esclarecer todas as dúvidas e descobrir se realmente há necessidade.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).