O tamanho do salto e a sua saúde

Treine a elegância até descalça. Conheça todos os problemas que o salto alto pode trazer à saúde e admita que nem todo esforço para ser bonita vale a pena

 

Todo mundo sabe que mulher para ficar bonita faz qualquer sacrifício, mas quando se trata do salto alto, isso pode significar bem mais do que as dores de ficar se equilibrando em palitos de 12, 15, 20 centímetros ou mais. Em nome da elegância e da sensualidade a mulherada nem quer saber se o salto alto altera o centro de equilíbrio do corpo ou se sobrecarrega a coluna. Muito pelo contrário, a maioria ainda acha as dores nos pés e nos joelhos perfeitamente normais. E são mesmo: para sessões de tortura. Sessões, aliás, que podem provocar problemas tão sérios de saúde a ponto de proibirem o uso do famigerado – e idolatrado – salto alto. E aí, não tem tipo físico nem dinheiro no mundo que mude a natureza: até a super poderosa Xuca acabou vítima da sesamoidite, um mal causado pelo uso prolongado do salto alto. O tratamento? Pelo menos seis meses de recuperação e adeus ao acessórios por um longo período.

 

No caso da Xuxa, a sesamoidite é uma inflamação nos sesamoides, ossinhos localizados próximos ao dedão, na sola de cada pé. O problema é que eles têm apenas 1 centímetro cada e acabam tendo que aguentar um peso muito maior do que deveriam. Os principais sintomas são dores na sola e na parte dianteira do pé, inchaço e calos, mas eles podem chegar à necrose por falta de circulação adequada do sangue. A primeira medida em um caso desses é suspender o uso de saltos altos, mas o tratamento pode chegar a exigir o uso de botas ortopédicas e palmilhas específicas. No caso de necrose, na maioria das vezes há a necessidade de cirurgia.

 

Problemas podem assumir várias formas e vários nomes

 

As complicações, entretanto, podem vir de outras formas e sob outros nomes também. De acordo com os especialistas, a altura máxima indicada de salto é de 3 centímetros. Bem, quase dá para ouvir o coro de protesto da mulherada, mas dá para entender. O uso de salto alto acarreta no encurtamento dos músculos da parte posterior da perna, fazendo com que haja dor mesmo quando a mulher está descalça ou de salto baixo. Claro, o músculo terá que ficar muito esticado para que a sola do pé toque totalmente o chão. Só esse “pequeno” probleminha já é o suficiente para aumentar as chances de tendinite no tendão de Aquiles. Aí o jeito é fazer sempre muito alongamento para tentar manter a musculatura no tamanho original.

Quem reclamou dos tais 3 centímetros de salto também pode procurar usar modelos que não deixem os pés tão inclinados, como os anabela e os com plataforma. Antes de comprar seu próximo objeto de fetiche, no entanto, preste atenção em algumas dicas: quando a área de apoio dos calcanhares é muito pequena aumenta o risco de torção e queda, além de que o peso do corpo passa a ser transferido para a frente quando deveria concentrar-se na traseira dos pés. Além disso, os problemas de coluna tendem a ser maiores quanto mais cedo amenina começa a usar saltos altos, já que há rotação do osso da pelve, fazendo com que o bum bum fique mais inclinado, aproximando mais os joelhos e afastando os pés – aquelas famosas pernas em forma de “X”. Procure também evitar saltos finos, que aumentam o desequilíbrio, por mais que a mulher seja “treinada”. Afinal, mulher elegante mesmo, mostra a classe até ao andar descalça.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).