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Dra. Luciana L. Pepino / Diretora Técnica Médica
CRM/SP: 106.491 RQE: 25827
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Pessoas com diabetes podem fazer cirurgia plástica?

Dúvidas sobre diabéticos e cirurgia plástica

Diabéticos podem fazer cirurgia plástica desde que doença esteja controlada

Uma dúvida comum de pacientes é se diabéticos podem fazer cirurgia plástica visto que a estimativa é que essa patologia afeta 8,9% dos brasileiros.

Como qualquer outra doença crônica, é fundamental que ela esteja controlada para que a paciente seja submetida a um procedimento eletivo como é o caso da cirurgia plástica.

Apesar disso, os diabéticos podem fazer cirurgia plástica, apenas devem ter um acompanhamento médico mais especializado antes e depois da cirurgia. Saiba mais a seguir!

Como a diabetes se manifesta?

A diabetes ocorre quando o pâncreas diminui a secreção de insulina, um hormônio responsável pelo controle da glicose nas células, aumentando a taxa de concentração no sangue.

A diabetes pode ser do tipo 1, quando é considerada uma doença autoimune, no qual o pâncreas não produz insulina suficiente ou para completamente de produzi-la.

Na diabetes tipo 2 ou na diabetes gestacional ocorre um déficit na interação entre glicose e insulina provocando a doença. Nesses casos, a patologia está, geralmente, associada à obesidade, sedentarismo, alimentação baseada em açúcar, carboidratos e produtos industrializados.

Em ambos os casos, os fatores genéticos também são relevantes para o surgimento da doença.

A mortalidade de pacientes diabéticos é maior mesmo em procedimentos de menor porte. Isso se deve à obesidade, normalmente relacionada à doença, e problemas cardiovasculares.

Em decorrência dessas condições a paciente pode apresentar problemas de cicatrização e alterações na pressão arterial. Os prejuízos à saúde podem ser diversos como causando infecções, problemas renais, cegueira etc.

Quando diabéticos podem fazer cirurgia plástica?

Apesar da condição agravada, os diabéticos podem fazer cirurgia plástica desde que haja um acompanhamento especializado e, preferencialmente, integrado entre cirurgião plástico e endocrinologista.

No caso de pacientes com diabetes, o pré-operatório da cirurgia plástica é determinante para garantir maior segurança da paciente durante e após o procedimento, reduzindo as chances de complicações.

Inicialmente, devem ser avaliados os fatores de risco, de forma que a paciente deve informar o cirurgião plástico sobre a patologia desde a consulta de avaliação.

Em alguns casos de diabetes tipo 2, quando a presença da doença está relacionada à obesidade, a recomendação é sempre que a paciente invista na perda de peso antes do procedimento.

Outras recomendações incluem a suspensão do cigarro e também do uso de medicamentos anticoncepcionais.

Os exames cardíacos são fundamentais nesses casos, pois a avaliação clínica das pacientes com diabetes é prejudicada pela menor percepção sensorial da coronariopatia (isquemia assintomática do coração).

Pessoa com diabetes

Caso a paciente tenha tido um infarto nos últimos 6 meses a cirurgia plástica eletiva deve ser adiada, pois esse quadro aumenta os riscos de infarto perioperatório.

Durante o pré-operatório também podem ser solicitadas avaliações de neuropatias e retinopatias que devem ser investigadas e monitoradas antes da decisão pelo procedimento estético.

Os diabéticos podem fazer cirurgia plástica apenas se houver o controle glicêmico previamente. A recomendação para procedimentos mais invasivos é que a glicemia de jejum (GJ) seja mantida em < 120 mg/dl e a glicemia pós-prandial (GPP) em < 180 mg/dl.

A recomendação é que a glicemia esteja controlada nos últimos três meses, sem quadros de hiperglicemia (aumento de glicose) como hipoglicemia (queda de glicose) nesse período.

Para que haja o controle glicêmico adequado pode ser indicado que a paciente seja internada dois dias antes da cirurgia, que seja feita a troca das medicações hipoglicemiantes orais e ajustes nas doses de insulina.

Quais as complicações e cuidados pós-operatórios?

As pacientes diabéticas têm mais chances de apresentar complicações durante e após a cirurgia plástica, sendo algumas ocorrências comuns:

  • maior tempo de cicatrização devido à alta concentração de glicose no sangue;
  • maior vulnerabilidade a infecções;
  • hipoglicemia durante o procedimento em decorrência do jejum pré-cirúrgico.

Para evitar essas ocorrências a paciente deve ter um acompanhamento pré-operatório adequado e também investir em melhores práticas pós-operatórias, como:

  • ter uma alimentação adequada seguindo uma dieta previamente indicada pelo endocrinologista;
  • fazer a limpeza correta e regular da incisão cirúrgica para reduzir as chances de infecção;
  • ficar em repouso absoluto por todo o período indicado pelo especialista;
  • fazer sessões de drenagem linfática para melhorar a retenção de líquido e cicatrização que são agravadas pela diabetes.

Dessa forma, pacientes diabéticos podem realizar a maior parte das cirurgias estéticas com segurança como abdominoplastia, mamoplastia e outras, no entanto, a doença deve estar controlada e os cuidados pré e pós-operatórios devem ser seguidos corretamente.

É fundamental que o procedimento seja acompanhado e realizado por um cirurgião plástico de confiança que conheça as condutas adequadas para o caso e atue em conjunto com o endocrinologista.

 

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Saiba que todo procedimento envolve riscos. Consulte sempre um médico.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).