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Os riscos do excesso de cirurgias

Todo excesso é perigoso – e com a beleza não é diferente. Veja porque a cirurgia plástica deve ser feita para melhorar a qualidade de vida, não para satisfazer uma obsessão estética

A perfeição estética sempre foi uma verdadeira obsessão, mas com a popularização da cirurgia plástica entre algumas pessoas ela tomou contornos absurdos. Que atire a primeira pedra quem nunca quis ter um nariz diferente, o rosto mais anguloso ou os seios maiores – mas o problema é quando o que deveria significar a recuperação da autoestima e a melhoria da qualidade de vida torna-se justamente o oposto. O mundo está cheio de exemplos de famosos e ilustres desconhecidos unidos pelos exageros de cirurgias, pessoas que perdem o senso estético, muitas vezes incentivadas por profissionais antiéticos e inescrupulosos. Da parte dos pacientes é preciso consciência de buscar apenas cirurgiões qualificados, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), e, por parte dos profissionais, honestidade para dizer “não” quando o procedimento significa ultrapassar os limites do aceitável.

Líder mundial no número de cirurgias plásticas, o Brasil fez quase 1,5 milhão de intervenções do tipo em 2013, pela primeira vez passando à frente dos Estados Unidos. Os números de 2014 ainda não foram divulgados, mas independente de estatísticas é preciso bom senso entre pacientes e cirurgiões na indicação dos casos quando a única finalidade for a estética. Especialistas apontam a “expectativa” como um dos principais motores que levam algumas pessoas às sucessivas cirurgias em busca da perfeição. Quanto maior a expectativa, maior a compulsão para fazer cirurgias que o levem mais próximo ao modelo ideal – e muitas vezes o caminho acaba sendo justamente o inverso, e sem retorno.

O paciente precisa estar ciente de que toda cirurgia traz riscos estéticos e para a saúde que podem ser irreversíveis e que cada organismo responde uma forma diferente ao mesmo tipo de procedimento – assim, o resultado obtido pela amiga pode ser completamente diferente do seu, ou, por causa da sua estrutura óssea, nunca ficar parecida com a Angelina Jolie. Da mesma forma, é preciso que o médico saiba se negar a fazer a cirurgia quando por algum motivo não houver indicação ou for indicada abusiva, já que muitas vezes as cirurgias desnecessárias mais atrapalham do que ajudam. Por outro lado, há pessoas que praticamente se viciam em procedimentos de emagrecimento, por exemplo, chegando ao limite de não fazerem uma alimentação saudável e balanceada porque contam com uma nova intervenção cirúrgica a cada 1 ou 2 anos.

Sai perdendo o organismo, vítima de abusos alimentares e falta de exercícios, e a própria expectativa, já que com o passar dos anos a própria resposta do corpo já não é mais a mesma, portanto os resultados também tendem a ser diferentes. Médicos e pacientes precisam compreender que toda cirurgia considerada abuso ou exagero deve ser descartada. Além da vontade de modificação deve haver indicação para que a cirurgia plástica seja feita, por isso é fundamental procurar apenas profissionais de qualificação comprovada pelos órgãos reguladores da área e com vasta experiência no mercado. Afinal, a beleza também é uma questão de saúde, e com saúde não se brinca.

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Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).