Bullying x Cirurgia Plástica

Procedimentos como rinoplastia e otoplastia resolvem o problema estético, mas este é apenas a metade do caminho.

Quem nunca teve um apelido na escola ou ficou conhecido por uma alguma característica marcante do seu aspecto físico? O que era considerado normal há 30, 40 anos, passou a tomar dimensões dantescas e a preocupar pais, crianças e professores: é quando a brincadeira extrapola os tênues limites da camaradagem e deixa de ter graça. Às vezes é por causa do nariz desproporcional ao rosto, às vezes por causa das orelhas “de abano”, aquelas mais afastadas da cabeça, ou outro detalhe qualquer que desperta a crueldade de quem deveria ser companheiro. Muitas vezes a cirurgia plástica pode ser o caminho indicado para minimizar os traumas causados pelo bullying, mas sozinha, nem sempre ela dá conta do problema. É preciso que pais e professores dediquem atenção à criança, trabalhando também o aspecto emocional, além do físico. A autoestima, nesses casos, não é conseguida facilmente, e é necessário que este caminho não seja trilhado sozinho.

Procedimentos resolvem o problema estético, mas é preciso mais

Uma pesquisa do IBGE mostra que as cidades em que o bullying acontece com mais frequência no Brasil são Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. Na primeira, pelo menos 35,9% dos estudantes da rede particular de ensino e 25,9% da rede pública afirmam ter sido vítimas de bullying. É preciso cuidado, porque as consequências emocionais e psicológicas podem ser permanentes, mesmo depois de cirurgias reparadoras como a rinoplastia (de correção do nariz) e a otoplastia (de correção das orelhas), as mais procuradas nesses casos. Isso ocorre porque os danos causados pela prática do bullying podem ficar enraizados tão fortemente no psique que somente a cirurgia plástica não dá conta: ela repara o lado estético do adolescentes, mas o emocional precisa de acompanhamento especializado – e de muita atenção e carinho da família.

Tratamento deve ser feito em conjunto

Depressão, crises de pânico, agorafobia e ansiedade são alguns dos males que acometem também as vítimas que acabaram tornando-se bullies como “alternativa” de sobrevivência, ainda que todo o processo tenha acontecido duas décadas depois e que o problema estético tenha sido resolvido. Dessa forma, é importante ter em mente que é necessário sim, cuidar do objeto de desarmonia estética, mas, da mesma forma, dar atenção à parte emocional e psicológica, com profissionais qualificados que tentem evitar ou minimizar o trauma. A mudança estética através da rinoplastia, otoplastia ou qualquer outro procedimento cirúrgico trabalha a segurança do indivíduo de fora para dentro, mas este não é um caminho de mão única. Sozinha, a cirurgia não é capaz de remover traumas que já estão instalados. É preciso um trabalho conjunto entre interior e exterior para que o adolescente cresça saudável e sem sequelas, e desfrute de uma vida plena.

Certamente, estes procedimentos são importantes para acabar com as piadas e brincadeiras indesejadas. Contudo, é preciso buscar uma clínica de cirurgia plástica que seja confiável. Esta pesquisa evitará dissabores em um futuro no qual, ao invés de resolver um problema, ganha-se outro.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).