Sal na comida – riscos à saúde

Ele é terrível – mas deixa a comida muito mais gostosa. Não tem quem não reclame quando o médico diz que dali em diante a dieta terá ser com sal reduzido, e só de pensar nos churrascos e petiscos, sem falar na comida do dia a dia, a vida de repente fica meio cinza. Só que não tem jeito, o sal é mesmo um vilão nessa história e a verdade é que, para não ter que se sujeitar a uma redução drástica, o ideal é comer com pouco sal desde sempre – apesar disso ser cada vez mais difícil para quem tem vida corrida. Fast food, enlatados, embutidos, comida congelada: tudo rico em sódio. Será que dá para resistir em nome da saúde? Bem, você vai ver que não há muita escolha, não.

 

Consumo médio brasileiro de sal é o dobro do recomendado

 

O brasileiro é um povo salgado: a média de ingestão aqui é de 4g a 6g de sal por dia, enquanto a recomendação é de 2,4g, de acordo com a America Heart Association. Verdade que ele é vital para o organismo – regula o volume de sangue no corpo e o ritmo cardíaco – mas na medida certa. O excesso pode ser fatal, mesmo. Alguns dos efeitos mais conhecidos e comuns são a hipertensão, o câncer de estômago, acidentes vasculares cerebrais (AVC), pedra nos rins, catarata. É de assustar, o sal interfere em praticamente todas as áreas do organismo. Mas o mais assustador é que, se em alguns alimentos ele é óbvio, ele também está onde menos se espera, como nos alimentos com zero caloria, por exemplo, como refrigerantes, cujo teor de sódio é o dobro dos normais.

 

Tolerância não é a mesma para todo mundo

 

Acontece também que a tolerância ao sal varia não só a cada indivíduo, mas também a cada grupo de indivíduos. Pesquisas mostram, por exemplo, que os negros, devido a uma disposição genética, são mais sensíveis a ele. Por outro lado, como o organismo sempre tenta se equilibrar, o estrogênio protege o aparelho vascular, pelo menos até a menopausa, dando uma certa vantagem feminina – mas aí o corpo libera hormônios que causam retenção de líquido e inchaço quando há muito sal no sangue, o que, por sua vez, sobrecarrega o coração, aumentando o risco de enfarte e AVC. Já os rins não conseguem filtrar muito sódio e acabam dando defeito. É complicado, não tem por onde fugir. O jeito é mesmo aprender a deixar o sal de lado.

 

Pequenas mudanças, grandes resultados

 

O melhor é ir mudando de hábito aos poucos, e a mudança deve começar no carrinho do supermercado, já que 75% do sal consumido todos os dias vêm de produtos industrializados. O japa pode ser saudável, mas o shoyu é um perigo. Ele, os enlatados e conservas, os molhos de salada e de pizza, embutidos, congelados e tudo o que já vem pronto. Difícil? Nem tanto, o paladar acaba se adaptando sim, ainda mais se você for trocando-o por temperos naturais (caldo de carne é rico em sódio), azeite, limão, pimenta. Aproveite também e deixe sua vida mais charmosa, preparando alimentos artesanais, preferindo frutas, legumes e verduras, tudo o que é fresquinho. Além de reduzir o sal, você vai acabar reduzindo também as calorias. E ainda ganhando um corpo muito mais bonito e saudável de bônus.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).