Parto humanizado

Saiba mais sobre esse movimento que ganha cada vez mais força entre as mulheres

Para as gestantes de primeira viagem, a hora do parto é o ápice de meses de espera, para quem já fez essa viagem antes é um rito de passagem, mas para todas é um momento de muitas, muitas escolhas. No entanto, essas escolhas nem sempre se baseiam na sua vontade, mas sim em protocolos do sistema de saúde, na vontade do médico ou na simples falta de boa vontade. Entre 2000 e 2010 o Brasil teve uma das maiores taxas de cesarianas no mundo, razão pela qual a Organização Mundial de Saúde (OMS) determinou que a taxa ficasse limitada a 15% e que os hospitais que a ultrapassassem deveriam arcar com todas as despesas do excedente, tanto públicos quanto particulares. Desde então os hospitais têm dado mais atenção ao chamado parto humanizado, onde a figura da mãe é ativa e determinante em relação aos procedimentos e a interferência médica só se dá em casos extremos.

Menor interferência médica possível

Apesar de a ideia  de dar mais atenção aos desejos da mãe do que aos protocolos hospitalares, respeitando seus direitos sem colocar em risco a sua ou a vida do bebê, o parto humanizado ainda está longe de ser o mais utilizado. O Brasil é recordista mundial em cesarianas, com 52% dos partos realizados pela rede pública de saúde e a 83% na rede privada. Entre as mulheres, no entanto, cresce cada vez mais o movimento de humanização do parto, que entrega à mãe o poder de decisão sobre esse momento. Entre outras coisas, ela tem o direito de se decidir por uma parteira, de ter o filho em casa, na água, na vertical ou não receber anestesia. A interferência médica, mesmo quando realizado em um hospital, só se dá em casos extremos.

 Indicação é para gestações perfeitas e expectativa de parto de baixo risco

Mas como tudo, o parto humanizado também tem prós e contras: só pode ser realizado em gravidez de baixo risco e pressupõe o total cumprimento de todos os procedimentos relativos ao pré-natal. Por ele, a cesariana deve servir para salvar vidas, não para ser regra, como acontece em algumas maternidades cujo índice de parto natural é de apenas 10%. A humanização do parto entende a gravidez e o nascimento como eventos fisiologicamente perfeitos, onde apenas 20% das mulheres têm necessidades especiais. No entanto, imprevistos acontecem e é preciso que eles sejam levados em consideração, por isso a informação e o diálogo com o médico responsável pela gestação devem ser a principal fonte de decisão.

 

Em algumas situações ele não deve acontecer em casa

Em algumas situações, portanto, o parto humanizado em casa não é recomendado, mas algumas condições podem aparecer apenas com o decorrer da gravidez. Ele deve ser feito em um hospital quando a mãe tiver hipertensão crônica ou súbita; anemia grave; cirurgia uterina anterior; saúde debilitada por problemas cardíacos, renais ou pulmonares; grave quadro psiquiátrico; diabetes; retardo do crescimento intra-uterino ou quando o bebê está pouco desenvolvido em relação à idade gestacional; doença hipertensiva específica da gestação; quando a posição do bebê é sentada, de nádegas para baixo ou são gêmeos (pode acontecer situações que precisem de intervenção cirúrgica) e trabalho de parto prematuro. Entre os benefícios está a melhora na amamentação, o forte vínculo afetivo e a recuperação mais rápida.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).