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O fumo e os riscos durante a cirurgia plástica

Fumo e cirurgia plástica não combinam

Você ainda não conseguiu se livrar do cigarro? Bem, se está pensando em fazer uma cirurgia plástica as notícias não são lá muito animadoras, não. Além de todos os problemas que o tabagismo acarreta, lá vem mais um: ele aumenta em até quatro vezes o risco de complicações não só durante a cirurgia, mas também no pré e pós-operatório. Para quem ainda insiste em pensar que isso tudo é papo de preconceito contra fumantes ou que é exagero, há razões muito bem fundamentadas que explicam cientificamente o que acontece. Todos os anos cerca de 5 milhões de pessoas morrem por causa de complicações ou doenças decorrentes do tabagismo, 200 mil só no Brasil. Para a cirurgia plástica um dos maiores riscos está na cicatrização. Se cada cigarro acarreta um período de 45 minutos com aporte de sangue, nutrientes e oxigênio na pele muito diminuído, quem fuma estará privando da pele de substâncias essenciais para uma cicatrização normal e segura.

Nicotina reduz o calibre dos vasos sanguíneos aumenta o risco de descolamento

Só para você ter uma ideia, durante a cirurgia sempre há vasos que acabam sendo lesados, e os que não o são precisam estar em pleno funcionamento de forma que a vascularização da pele seja mantida normalmente – só que a nicotina reduz o calibre desses vasos, dificultando a chegada do sangue até as células. Se a célula não recebe sangue suficiente, ela morre. Por isso quem fuma tem problemas muito maiores de cicatrização e de necrose. Assim, é grande a probabilidade de descolamento das partes costuradas (deiscências de suturas), entre outras complicações. Por outro lado, o tabagismo leva à produção excessiva de radicais livres, aumentando o processo de oxidação que, por sua vez, leva ao envelhecimento precoce.

Infecções respiratórias e tosse também são mais frequentes

O tabagismo também aumenta a incidência de infecções respiratórias e de tosse, risco maior ainda de pontos arrebentados principalmente para quem faz cirurgias de mama ou abdome. Já quando a cirurgia é no nariz, o fumo deixa a mucosa nasal muito mais sensível e propensa à necrose. A cirurgia plástica também precisa ser adaptada quando o paciente é fumante, com descolamentos teciduais reduzidos e técnicas de uma forma geral menos agressivas para reduzir o risco de complicações. Para os pacientes fumantes também é indicado o uso de altas doses de antioxidantes no pré-operatório, como a vitamina C, por exemplo. A ideia é que eles consigam reduzir de forma significativa os efeitos negativos da nicotina, considerada um cofator prejudicial para a cicatrização.

Há casos em que a cirurgia plástica não é recomendada

Nem sempre, no entanto, quem fuma estará apta a realizar a cirurgia plástica, ainda que tomando todas essas precauções. Em várias situações é preciso que o paciente interrompa completamente o tabagismo, porque o risco de insucesso é muito maior do que o de sucesso, prejudicando o resultado final da cirurgia e podendo acarreta e danos à saúde. É o caso, por exemplo, de cirurgias estéticas que precisam que “retalhos” sejam transferidos, como é o caso de reconstruções, ou necessitam de outras microcirurgias.

Saiba que todo procedimento envolve riscos. Consulte sempre um médico.


Dra. Luciana L. Pepino.

Diretora Técnica Médica

CRM-SP: 106.491

RQE: 25827

Membro da ISAPS – International Society of Aesthetics Plastic Surgery

Membro da ASPS – American Society of Plastic Surgeon

Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica SBCP

Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte – MG

Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte – MG

Formada em Medicina pela faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte – MG

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