Qual a idade ideal para a primeira cirurgia?

Apesar de ser uma época de boa saúde e baixo risco cirúrgico, cada caso deve ser analisado particularmente quando o procedimento envolve um adolescente. Veja porquê.

A adolescência é uma época de descobrimentos, incertezas e inseguranças, onde ao mesmo tempo em que um mundo de possibilidades se descortina à frente, uma grande carga de hormônios provoca transformações físicas e emocionais. É bastante comum, portanto, adolescentes descontentes com a forma do corpo ou com algum aspecto do rosto, com ou sem fundamentação. Mas será que existe uma idade ideal para a primeira cirurgia estética? De acordo com a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, em 2013 o número de cirurgias do tipo realizadas em menores de 18 anos correspondeu a 1% do total. Já no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a quantidade de procedimentos do gênero em meninas entre 14 e 18 anos mais que dobrou entre 2008 e 2012, um aumento de 141%, um ritmo 3,5 vezes maior se comparado ao percentual de aumento em adultos no mesmo período, 38,6%. Ainda de acordo com a SBCP, a idade deve ser avaliada pelo cirurgião em conjunto com outros fatores, como o estado físico e mental do paciente.

A cirurgia plástica tem um papel importante no processo de resgate da autoestima, principalmente quando há assimetrias ou anormalidades que precisam ser corrigidas, geralmente a maior parte das indicações entre adolescentes. As mais comuns, neste caso, são a rinoplastia, otoplastia e mamoplastia redutora. Ainda que de uma forma geral não haja idade mínima pré-estabelecida para a primeira cirurgia plástica, é preciso ficar atento à crescente busca pelo corpo ideal que tem levado meninas cada vez mais novas aos centros cirúrgicos. É preciso analisar os benefícios e as particularidades de cada caso, e ainda se a expectativa da adolescente tem correspondência a uma possibilidade real. É muito comum a menina idealizar um resultado que poderá ser diferente do obtido devido a vários fatores, como a estrutura óssea, por exemplo. Nestes casos a solução é apresentar alternativas menos invasivas e ser absolutamente realista em relação aos resultados.

Outra questão que deve ser analisada é que o corpo ainda está sofrendo transformações nessa faixa etária, ainda está em desenvolvimento. Alguns procedimentos precisam que o corpo já tenha alcançado sua maturidade física, como a ginecomastia, mamoplastia e a rinoplastia. Mesmo para a colocação de próteses de silicone é necessário que as mamas já estejam completamente desenvolvidas e que haja o aval de seu ginecologista. Como no caso de menores a responsabilidade é dos pais, é preciso que haja bom senso e que a opinião do cirurgião seja respeitada. Há casos, por exemplo, que não requerem cirurgia e que o caminho mais indicado é um acompanhamento psicológico. A cirurgia plástica não deve ser feita apenas para que o adolescente se enquadre em algum padrão social nem porque um determinado problema está sendo supervalorizado. É preciso que ele tenha maturidade suficiente para ter a real dimensão do que está se propondo, seguir todas as recomendações de pré e pós-operatório e ter paciência para aguardar os resultados definitivos.

Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).