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Dia Mundial de Luta Contra a Aids: entenda por que essa doença ainda assusta

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Apesar dos avanços da medicina, a Aids ainda é motivo de preocupação para a sociedade. Entenda os motivos para isso. 

No dia 1º de dezembro, celebra-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Uma doença que já foi sinônimo de morte em um curto período de tempo. Hoje, porém, a situação é diferente.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids. O Unaids, mais de 18 milhões de pessoas em todo o mundo estão recebendo o tratamento contra a Aids em 2016. No Brasil, o número de pessoas em tratamento aumentou 97% entre 2009 e 2015. Passando de 231 mil para 455 mil – ou seja, em seis anos, o total de pacientes atendidos praticamente dobrou.

Outra boa notícia em relação à Aids e ao HIV é que 91% dos brasileiros adultos que possuem a doença e estão em tratamento, há pelo menos seis meses, não apresentam carga vira detectável no organismo. Ou seja, essas pessoas não são mais capazes de transmitir o vírus. Mostrando que os medicamentos antirretrovirais fizeram efeito.

Inclusive, essa é uma das metas da Unaids. Que até 2020 pretende testar 90% das pessoas que vivem com HIV e Aids. Tratar 90% dessas pessoas e chegar a 90% de pacientes com carga viral indetectável.

Porém, apesar desses avanços. A Aids e o vírus HIV ainda são motivos de preocupação para a sociedade. Por isso o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Agora as pessoas que se contaminaram com o vírus vivem muito mais do que nos anos 1980. Quando a doença foi descoberta e, embora essa seja uma boa notícia. Ainda há muitos desafios em relação aos cuidados a serem tomados à medida que esses pacientes envelhecem.

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Aids e o vírus HIV ainda são motivos de preocupação para a sociedade.

Efeitos do envelhecimento com o HIV

É inegável que o tratamento com antirretrovirais combinados possibilitou que os pacientes com HIV vivam saudáveis por várias décadas. Melhorando as condições de seu sistema imunológico. Embora as defesas do organismo estejam fortalecidas com as terapias medicamentosas. O HIV e o uso prolongado dos medicamentos para combatê-lo exercem outro efeito sobre as pessoas que foram infectadas: o envelhecimento prematuro.

Em média, os pacientes com HIV apresentam sinais genéticos nas células de que sua idade biológica aumenta em 4,9 anos. Esse efeito foi descoberto por pesquisadores da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, que utilizaram técnicas para detectar mudanças epigenéticas nas células dos pacientes – isso significa que as mudanças não ocorrem diretamente na sequência do DNA, mas em outras partes do genoma que são responsáveis pela regulação dos genes.

Essas mudanças são transmitidas para as células-filhas. De forma que elas também são influenciadas pelas alterações. Além de acrescentar quase 5 anos na idade biológica. Essas mudanças epigenéticas que ocorrem em uma parcela dos pacientes podem representar um aumento do risco da mortalidade de 19%.

Embora os pesquisadores afirmem que é possível desenvolver medicamentos para diminuir essas mudanças epigenéticas, a preocupação imediata é que os pacientes podem apresentar um aumento na manifestação de doenças ligadas ao envelhecimento.

Por causa disso, as equipes médicas que cuidam de pessoas com HIV não devem mais se atentar apenas às doenças infecciosas e oportunistas. Como a gripe e a pneumonia, que eram as grandes ameaças aos portadores do vírus. Com a nova realidade, passou a ser fundamental que os profissionais de saúde também prestem cuidados em relação às doenças típicas do envelhecimento, como patologias ósseas, hepáticas, neurológicas, pulmonares e metabólicas.

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Os pesquisadores afirmam que é possível desenvolver medicamentos para diminuir essas mudanças epigenéticas.

Complicações das alterações metabólicas e neurológicas

As alterações metabólicas são as maiores fontes de preocupação dentro do envelhecimento precoce observado em pessoas com HIV que fazem tratamento há bastante tempo. Entre elas, estão as alterações nos níveis de glicose, que podem levar ao diabetes, e dos níveis de triglicerídeos e colesterol, o que pode dar origem a doenças cardiovasculares, como a aterosclerose (endurecimento da parede dos vasos sanguíneos causados pelo depósito de gordura e colesterol que estão em excesso no sangue).

Outra doença característica das pessoas com mais idade e que pode aparecer nos pacientes com HIV ou Aids é a osteoporose. Uma condição que causa o enfraquecimento dos ossos, deixando-os mais quebradiços e frágeis. O perigo dessa doença é que ela é silenciosa: a maior parte das pessoas só descobre que está com osteoporose quando sofre uma fratura. Em casos extremos, ela pode levar até mesmo à paralisia.

O surgimento da osteoporose precoce está associado ao uso prolongado dos inibidores da protease (que atuam no sentido de bloquear a ação da enzina protease e impedem a produção de novas células infectadas com HIV) e do tenofovir (que age inibindo uma enzima chamada transcriptase reversa nucleotídeo).

Alterações Metabólicas

Para evitar que essas alterações metabólicas surjam prematuramente. Os pacientes podem utilizar medicamentos específicos para controlar as taxas de glicose, triglicerídeos e colesterol, sempre receitados pelo médico. Além de praticar exercícios físicos regularmente. Manter uma vida equilibrada e sempre optar por escolhas saudáveis. Para evitar a osteoporose, é importante fazer uso de reposição de vitamina D e de cálcio, além de outros medicamentos específicos.

No caso das complicações neurológicas, é a demência senil que tem sido observada com mais frequência nesses pacientes. Os sintomas dessa doença são dificuldades de concentração, perda de memória, irritação, desorientação e tendência ao isolamento. O diagnóstico é feito por avaliação clínica e podem utilizar exames de imagens para a confirmação.

Além das alterações metabólicas e neurológicas, as equipes médicas precisam ficar atentas ao surgimento de possíveis cânceres. Que são um tanto frequentes em pacientes que contraíram HIV há algum tempo e estão fazendo tratamento com antirretrovirais. Existe uma tendência maior de neoplasias de fígado e pulmão. Sendo necessário realizar exames com intervalos reduzidos nesses pacientes.

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A luta contra a AIDS é mundial.

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Autor do Conteúdo

Foto DR. Luciana

| DRA. LUCIANA LEONEL PEPINO


CRM-SP 106.491 | RQE: 25827

  • Membro Especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - SBCP.
  • Residência em Cirurgia Plástica no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Residência médica em Cirurgia Geral no Hospital Universitário São José – Belo Horizonte (MG).
  • Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Belo Horizonte (MG).